"- (...) Tu, tu estarás longe. Quanto aos bichos grandes, não tenho medo nenhum. Tenho as minhas garras.E mostrou, ingenuamente, os quatro espinhos. Depois prosseguiu:
- Não estejas com delongas, é irritante. Decidiste partir. Vai-te embora.
Porque não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muitíssimo orgulhosa..."
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"«Havia de não lhe ter dado ouvidos», confidenciou-me um dia, «é preciso nunca dar ouvidos às flores. Apenas se deve olhar para elas e cheirá-las. A minha perfumava-me o planeta, mas eu não era capaz de me deleitar com isso. Aquela história das garras, que tanto me aborreceu, havia antes de me ter enternecido...»
E confidenciou-me ainda: «Naquela altura não fui capaz de compreender! Devia julgá-la pelos actos e não pelas palavras. Ela perfumava e enfeitava. Eu nunca devia ter fugido! Para lá das artimanhas, devia ter adivinhado a sua ternura. As flores são tão incoerentes! Eu era novo de mais para saber amá-la.»"
em "O Principezinho", de Saint-Exupéry
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