quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Tenho falado de amor ultimamente

"Eu vou procurar falar em nome do amor, do amor terreno, que é aquilo que nós, os comuns mortais, acreditamos."

Em "Em nome do amor, carta ao papa", de Melissa P.

Independentemente de quão crentes nos consideremos, somos seres cépticos, aprendemos desde pequemos a buscar resultados, coisas no agora, palpáveis e visíveis. Temos incorporado, é verdade, a tal máquina de estados... Cada coisa leva a outra, e apartir daí reagimos. "Coisas" - acções ou consequências - que consigamos sentir cá dentro.
É nas coisas que procuramos que nos identificamos - o curso, o desporto x, a actividade y, os gostos z. Analogamente, é naqueles que amamos que confirmamos a nossa identidade a cada instante... Como que de uma confirmação do mundo todo se tratasse... Essa sensação de que "estamos bem" pois alguém - e pode mesmo ser um e apenas um alguém - nos ama tal qual somos. Há esse conforto, essa tranquilidade, esse sermos compreendidos, sermos aceites na totalidade, sermos de facto "perfeitos" (para alguém), e mais ainda, fazermos parte de um projecto (inútil e não lucrativo!!).

É no amor terreno que acreditamos.
Naquele amor que nos abraça e nos diz que vai correr tudo bem.
Naquele amor que nos olha como se nada de mais agradável pudesse haver nesta vida senão o outro.
Naquele amor que, encarando o tempo como algo francamente efémero, nos confere um valor inestimável ao assumir que gastar desse tempo connosco é o melhor investimento que dele poderia fazer (seja lá de que maneira for e que "tipo" de amor se trate).
E só isso, só isso... Já faz tudo o resto valer a pena.

É bom.
E recomenda-se.
D.G.

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