domingo, 8 de março de 2009

Come what may

http://www.youtube.com/watch?v=vVAoKTKFDzU
(aceder ao link, antes de mais. vê-lo as vezes que for preciso.)

[Esta semana, pela primeira vez na minha vida, contactei com cadáveres de forma continuada e exploratória e, também, ausente de sentimentos inibidores de pensamentos/conclusões, como a que desenvolvi.

Aqui ao computador, a ver este excerto/montagem de um filme de que gosto particularmente por tudo o que me faz sentir, consigo olhar as caras dos actores e como que retirar-lhes a vida, vê-los mortos, com os seus traços mas sem expressão, com os corpos secos e sem brilho. A distância é tão ténue e tão fácil… tudo o que têm e o quotidiano que vivem é absolutamente vão e ilusão.

Por outro lado, vendo mais fundo (e mesmo sendo eles actores) é na emoção que reside o único ânimo – cuja origem não sinto necessidade de definir, nem aqui nem dentro de mim – importa apenas que existe! – que os diferencia e distancia de não terem valor algum e de não passarem de mais um animal, uma máquina biológica que, como tantas outras, de tantas espécies (ou só da nossa, “especial e superior”, como preferirem) que todos estes anos de todos estes séculos, nasce e morre.

É no poder de sentirmos o coração apertado quando fisicamente a sua forma se mantém, é na lágrima que fazemos cair sem o objectivo de lubrificar a córnea e que demonstra algo (sim, “algo” mesmo) que está encravado algures dentro de nós (porque não, um objecto virtual mesmo) é no que existe dentro e fora de nós ao mesmo tempo, como que procurando desafiar as leis da física e que é tão visível nos segundos de [3:15-3:24] do filme, que reside o que nos diferencia e o que de menos vazio podemos encontrar.

De todos os seres que nascem e morrem todos os dias, conseguir sincronizar no tempo e no espaço dois, cuja cumplicidade se partilhe nos traços mais fúteis dos dias e nas coisas mais simples como um sorriso, ou um olhar… Momentos em que nesses segundos não há espaço para mais nada cá dentro, evidenciando vazio algum aí… Como que se nos perguntassem o que pensamos nessa altura, de nada nos lembraríamos…
Eu quero isso.


Não sei demonstrar por palavras ou de alguma outra forma como vejo sentido algum na maioria das coisas que fazemos. E ainda assim faço-as e busco-as todos os dias. Daí que queira viver por aqueles segundos como os que acima referi.
Só com o coração cheio de algo mais do que sangue, os dias, pelo menos os meus, que no futuro ninguém lembrará, poderão ter sido usados na plenitude. Um coração aberto, permitirmo-nos gostar de alguém assim muito, imenso, rirmos e chorarmos sem problemas, nem capas, nem contenções, fazermos mais e melhor por quem nos é importante, e gostamos, e vale a pena… Andamos sempre tão perdidos com as pequenas metas de nada e desafios de coisa nenhuma a que a vida nos propõe.

Amar tem e pode ter muitas caras.
Sentimo-lo por pais, irmãos, filhos, amigos, esta e aquela pessoal realmente especial.

E ser tão “partilhado” não o torna menos digno ou único.

Quero ser feliz como estado basal, sempre.
Hoje e sempre.


“The greatest thing you’ll ever learn, is just to love and be loved in return”.
Naturalmente que nunca no sentido de “pagamento”, mas de partilha.

A todos os que gosto de verdade, desejo-vos o mesmo ou melhor
do que desejo a mim mesma:
que encontrem o vosso próprio caminho de chegar ao mesmo fim, para onde vamos todos.]
D.G.

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