"O malabarista pára no meio da praça, pega em três laranjas e começa a
atirá-las ao ar. As pessoas reúnem-se à sua volta, prestam atenção à graça e à
elegância dos seus gestos.
- A vida é mais ou menos assim - comenta alguém com o viajante. -
Temos sempre uma laranja em cada mão e uma solta no ar; é aí que está toda a
diferença. Foi lançada com habilidade e experiência, mas tem o seu próprio rumo.
Assim como o malabarista, lançamos um sonho no mundo e nem sempre temos controlo sobre ele.
Nesses momentos, é preciso entregá-lo a Deus e pedir que, no seu devido tempo, ele cumpra com dignidade o seu percurso e caia realizado nas nossas mãos.""Maktub", Paulo Coelho
[O livro tem 179 páginas, cada uma com uma estória, do género desta: curta. Estórias essas que nunca li de seguida, deixo sempre que o "próprio livro" se encarregue de escolher uma, e essa uma aparece no meu dia com um propósito especial - sentir o que li, e receber a sua mensagem.
Já vão uns meses que não o abria. Hoje avistei.o, algures por detrás de um biombo azul, e senti um impulso forte em cumprir esse "ritual". Foi sem pensar, sem escolher, sem nada. Abri-o. Nunca tinha lido esta. Fez-me um bem imenso. Partilho-o, dando-vos a possibilidade de o aplicarem nas vossas próprias vidas.]
D.G.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Maktub
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6 comentários:
Histórias!
Não existe diferença significativa entre os vocábulos “estória” e “história”, que partilham a mesma etimologia (do grego ‘historía’).
Contudo, “estória” é a grafia antiga de “história” que, entretanto, caiu em desuso no português falado em Portugal.
Não como o ramo da ciência que se ocupa de registar cronologicamente e explicar os factos do passado da humanidade em geral, mas como uma narração ordenada gosto, particularmente, de o usar.
**
D.G.
Estória não vem no dicionário de lingua portuguesa e é um brasileirismo, que os Brasileiros nos vão tentar impigir. Pelos vistos para eles, estória é quando se fala de um conto tradicional.
Nós daqui a uns tempos:
http://www.youtube.com/watch?v=qvLjZLWdTeU
;)
Sim.. por este andar, nem mortos a música desaparecerá das nossas, huh, "vidas"!
*
Não é meu costume tomar partido em quaisquer arrufos, muito menos nos longos deste blog. Daí ousar dizer que presenciam um inédito, aqui!
"A mudança que decorre de situações de contacto de línguas é diferente da mudança inerente que qualquer língua regista, ao longo da sua história(...)."
O que o sr. Seriuskiller tentou explicar, pareceu-me, foi que estávamos sob fogo pesado dos brasileiros numa guerra morfológica. No entanto, do que ainda me lembro das aulas de português no secundário, o termo "estória" de facto refere-se a uma narrativa. Esta evolução da língua é a tal "mudança inerente" e não, como foi apontado, uma mudança por contacto! Como sabem, o português brasileiro deriva do português levado para o Brasil no século XVI com as devidas mudanças da língua que acompanham a sociedade. É provável que haja casos em que as evoluções do português europeu e brasileiro se tocam. Não sei se este será um destes casos ou um dos que nasceu em Portugal, foi levado para o Brasil e cá se extinguiu, entretanto.
Que o diga o sapientíssimo sr. Bilhoto: "estória" existe.
Também é bonito referir que o vocábulo "estória" consta no Dicionário de Língua Portuguesa de 2004 da Porto Editora. Não consta em todos, é um facto, mas é o que acontece com as espécies em vias de extinção...
"(...) arrufos, muito menos nos longos deste blog."
Onde? Aqui? Naa... Qual quê!
Penso que acabou por dizer tudo, para os que o sabem ler. Estórias é de facto um português antigo, fácil portanto de entender que o argumento-brasileiro não esteja errado, mas que seja apenas reflexo de uma palavra por eles adoptada que é do português original mas, repito, antigo. E como espécie extinta cá, (não em vias de extinção, já que, como disse e como sei, aparece em 2004, apenas (já vai um tempinho...)) e não extinta lá, é bem capaz de voltar ao seu país de origem, sabe-se lá! Com esta maluqueira da evolução da Língua Portuguesa (sim, é nestes casos em que é visível o significado real de evolução: mudança! Não mudança para melhor!) não sei mesmo.
Mas nem por isso deixo de gostar da palavra, assim é, desculpem lá os ofendidos!...
P.S.- Gostaria de ter inéditos mais vezes, sr. Eu, porque efectivamente gostei da intervenção.
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D.G.
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