segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Staring eyes


O meu caminhar era calmo, compassado... O pensamento não estava comigo, viajava numa conversa eterna, constante, que acontece todas as horas do dia, sendo mais ou menos consciente.
O Sol raiava, no alto. Poucos minutos faltavam para chegar ao metro e conseguir apanhá-lo, aquele que eu queria, mas nada em mim mudava nessa pressa constante do dia-a-dia. Sabia que estaria lá à minha espera.
Devagarinho, apercebia-me de um sorriso que nascia em mim, repetidamente. Ia e vinha, como as ondas da maré. E o seu ritmo, esse, encaixava na perfeição com a contemplação sucessiva de todas as coisas, e de coisa nenhuma.
Viver. Permitir apenas que o sangue que sentia a correr dentro de mim, a respiração consciente, bonita, suave, que todo o meu corpo fazia, acontecesse ao mesmo tempo que a pensava, apreciava e sentia.
Paz. Serenidade. E uma alegria imensa por cá estar.
Estiquei o pescoço, ergui a cara à procura daquela brisa do dia.
Fechei os olhos.
Agradeci.

4 comentários:

Seriuskiller disse...

Tens de experimentar estar no alto de um monte no Gerês, no meio do nada, longe de todos os caminhos. Até parece que levas um estalo na cara e acordas!

Anónimo disse...

O segredo está em trazer essas sensações para a confusão. Esse acordar existe dentro de nós, o exterior é sempre, apenas, uma muleta. Experimenta.

Seriuskiller disse...

Não vejo felicidade nem beleza na confusão. É dificel estar em sintonia com algo que não anda ao nosso ritmo.

Anónimo disse...

Porque a beleza de viver é mais sentida pelos que vivem menos, gostei. Um beijo, tu sabes*